quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Pelo resto que há de se valer, nada se explica.
E ainda que se peça benção ao amaldiçoado
Ele nem sempre seria sincero.
Areias movediças afundam o menos desprevenido,
Morte sorrateira espera as bolhas de sentimentos efêmeros que não têm fuga.
Sorte de desencontros que saídas não importam.
Cante seu coração e ainda assim as cinzas vêm de frente.
E o fogo que não existe esquece o medo do gelo que enfrenta.
Nada vem em mente.
Nada encontra o tudo.
Tudo torna-se um turbilhão.
Que se torna uma bagunça.
Nada resolve,
Nada transforma,
Nada é algo.
E algo é verdade,
Mas ninguém se encontra.
E tudo se vê como mentira.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Em meio ao vinho

Sabe aquele tempo em que você se sente fraco?
A todo momento você se sente inserido no deserto que criou.
Você pode amar todo mundo que quiser, mas ainda assim não é capaz de encontrar um coração para te achar.
Logo você enxerga que nunca vai se achar se estiver sempre perdido, então nunca encontrará nada.
E é por isso que a imaginação não deve se perder dentre a escuridão e a criatividade.
Entre o tempo e os perfumes existe muita vida pra quem acha que sabe de tudo e pra quem percebe uma pequeneza gigantesca em uma janela que não existe.
Ficções humanas criadas antecipadamente nunca satisfarão um amor vindouro
nem qualquer paciência que virá.
O amor não existe.
Não existe entre as membranas malditas do ser que existe entre nós todos,
Que só sabem se arrepender a cada momento,
Querem o tempo todo dizer que deu tudo errado ou que não podem fazer nada pelo que nunca poderia dar errado se não se esforçassem um pouco mais.
Amar é uma fraqueza?
Que então eu seja fraco para sempre.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Nu

Meu topete estava lindo,
Mas chegou você como a brisa do oceano.
Chegou assim, como quem não queria nada.
Tão de leve levou meu topete,
Levou me cabelo,
Levou minha careca,
Levou minha pele,
E até meu sangue.
Quem é você?
Quem é você?
Você que me roubou tudo?
Em você quem dorme
Nada, sombras, delírios
Me implore seu corpo
Agora
Mas só meu suspiro
Rejeita a sombra de ser
Coberta de seus agudos ligeiros
Nem graves e nem mortos
Podem me convencer
Eis o teu pranto
Chove noite densa
Pela pura madrugada
Negra és tu envenenada
Cheia de desapegos
Sem querer, sem suor
Encanta os mudos
És você
Forma sem sombra
Que me apaixona

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Mais forte

Você tem sido mais forte que eu,
E não merece uma medalha por isso.
Tem bem mais que eu,
E se expôs muito mais do que eu.
E ainda assim tem me usado à sua frente
Como um muro receptivo.
Não vai ser pra sempre assim,
Você sabe que não estou apaixonado por você,
E ainda assim espera devoção...
Mas o amor vai além dessa merda.
Você tem sido mais forte que eu,
Aguentando essa máscara
Que só você mesmo criou e se escondeu.
Por favor,
Comporte-se, então, como uma dama,
Não como uma prostituta.
Ao meu lado, assim, você não dura.
Acho que você tem sido mais forte que eu.
Ah... E outra coisa.
Não quero conhecer sua mãe,
Mesmo além dos seus pedidos
Só pra não dá-la o desgosto
De saber um pouco mais
Sobre como ela não soube lidar com toda essa sua mágoa.
Esse bebê que só vai saber chorar.
É... Você pareceu mais forte que eu.
Não venha chorar no meu colo,
Porque já existem muitos corações
partidos para serem cuidados aqui.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Por esses dias

A paz me envolveu, adentrou o casulo de algodão que foi construído de cimento em pensamentos.
Tanta proteção sem sentido... uma fortaleza criada por um ego medroso em uma bolha de sabão para o mundo.
Sentimentos perdidos.
Mal entendidos.
Pouco vividos.
Tristes.
Cinzas.
Sem vida.
Compreensão externa se estendendo e se entendeu ao que nunca foi possível encontrar em lugar qualquer por não haver permissão.
Desconexão de alma e mente que resiste aos poucos, por ser sábio que nada é perfeito.
Enganos planejados, mesmo que o querido não se torne o desejado.
Nada se compara à uma vida de tudo que uma mente aleatória pode divagar, mas ninguém se chateia, ninguém se frustra.
Se é sonho ou pesadelo, deixe pra quem tem mais sonhos ilusórios ou pesadelos lúcidos decidir... Não é tarefa minha. Preocupação é viver nem menos, nem mais.
Sem arrependimentos (ainda que tentando compreender as próprias confusões).
Nada como sentir-se mais livre.
Livre de julgamentos.
Livre das coisas (boas) desse mundo.
Livre de irritaçoes diárias.
Livre da solidão.
Livre da desilusão.
Algo novo e saudável todo dia.
Porque ser um homem melhor é árdua tarefa pra quem anseia.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Ego

É seu último adeus?
Eu duvido.
E nunca vou deixar de desejar o melhor para você.
E estarei aqui quando você voltar, certeza disso.
E ao mesmo tempo não vou deixar de pensar que você tem razão de pensar como quiser.
Você era apenas alguém tentando ser simples nessa infinidade mundana de sentimentos, sensações e expressões de tudo o que te resta do comodismo que te pressionou a ser o que é hoje.
Mas a vida não é assim... é?
E ainda que vivendo totalmente inseguro em seu mundinho autoproteror, a qualquer momento esperando ser atingido com qualquer faísca torturante desse conjunto de prazeres, você ainda deve se esconder atrás de um escudo de consciência profunda do que esconde de si.
Mas você raivosamente me faz deixar as armas no chão com um simples olhar e de repente é estendida uma bandeira vermelha de uma lasciva paz em meio à resposta de prudência quanto ao que você quer.
Mil falsos ouvidos captam "Liberdade ou Morte" frente aos meus sentidos despidos e desarmados.
Não há como resistir a tamanha sucumbência de dor.
Mas grito: "AMOR!"
Ninguém ouve.
E quando penso na solidão que a tristeza que este tipo de amor me trouxe, as palavras se tornam armas agudas adentrando meu peito, como se fossem bolhas-bombas sendo tossidas com o último fôlego da inocência de um bebê que sopra uma fumaça preta.
E você sabe que a realidade deste mundo muito é triste, e eu procurei fingir.
Mas não consegui, porque sei que ao mesmo tempo em que você se engana pensando que pode se desculpar a todo e a qualquer momento, age como se fôssemos lobos famintos em meio à terra gélida procurando alimento... que quando o encontra, o divide.
Mas a realidade deste mundo é muito triste, e eu procurei fugir de mim entre a fome.
Vivemos esse tempo experimentando várias formas de socializar animalescamente, ter alegria e mantermos-nos aquecidos, perseguindo livremente aquilo que tememos, juntos, dentro de uma jaula que achamos que existe.
Ameaças sórdidas contra os espelhos. Porque medo não existe no vocabulário de quem não se assusta com o pouco que este mundo canibal oferece.
Maldade nunca houve, mas presas, sangue e carne fresca sempre estiveram em nosso jantar vazio.
E essa morte sempre foi a primeira convidada do nosso inverno.
Mas cessou o tempo das caçadas lupinas em noites de Lua nova. Nessa caminhada vimos que sol e lua não fazem diferença, porque solitários lobos não precisam de ninguém.
A não ser da Linda Lua.


"Óh, Branca, Linda Sombra, durma em paz.
Não estarei esperando você voltar toda clara e sedutora,
Pois estarei cansado demais para ver-te, mesmo entre os uivos.
Nada vai acordar-me deste sono para ti, Lua Cheia."

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Carta.

Preste atenção... eu não preciso disto.
Sinto a ternura de suas rochas amedrontadas ao sentirem que serão destruídas.
Pena, que pena.
Preocupação, que preocupação.
Amor, que amor.
Esse coração chora de um amor 'inentendível'.
(E me poupe se você não {entende} encontra isso no dicionário).
É o que eu vejo dentro e fora. De mim... e de você.
'To di boa. Calaboca. Vai si fude.'
Eu digo que te amo.
Você tenta me calar e não consegue, então você mente.
Me diz como sofre em sua vida para tentar me comover, mas eu não tenho pena.
Eu não tenho.
E não acredito que você sinta o que quer sentir.
É uma tristeza.
'Cuide de sua vida' - digo - e você zomba do meu português correto.
Me chama de burro, de bobo e de tudo o que pensa, e fala, e pensa e xinga e pensa.
Eu sou isso tudo, muito, muito e muito... e da minha maneira me justifico que você me ama.
Você me ama.
Você me ama.
Você me ama.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Bem me quer?

Jeito exagerado de enxergar a vida que invadia todas as artérias.

É o que basta para lembrar de como destrói ser uma pedra fria.
Esse lado encantador e fascinante conquista cada vez que se tenta doer o mundo sem o ter nas mãos.
Parece estar tudo certo, mas no fundo arde, como uma ferida latejante, aberta há dois minutos... e o tempo não é mais o mesmo rei.
Paralizado e com a língua enrolada no céu da boca. Gaguejando e chorando feito criança assustada diante de sonhos incertos.
Nenhum bobo é capaz de obter o respeito que quer.
Tanto o tempo vivido, com besteiras nefáveis e que se sabe não terem fundamento, acaba tornando-se um emaranhado de pensamentos perdidos no instante... e não é necessário viver.
Não é necessário viver?
Antes esquecer, então?
Tempo ao tempo e os pensamento vão se desapegando como musgo que se rompe a cada vez que o sol se torna mais intenso.
E as escolhas? Até onde alguém é capaz de abandonar tanto?
As vezes é possível ficar um tanto calejado, se escondendo dentro de um escudo que só seu forjador pode ver e, de alguma forma, só quem o detém o sente. Onde pode se sentir acolhido e confortado.
Aconchego é um pouco do que todos buscam... Ainda assim, essa sensação de paz é real?
Mesmo parado no tempo pode-se ver o que acabou de chegar.
Porque ainda há tanta tensão se há tanta distância? Por que o incômodo?
Pensa.
Algumas vezes são criados limites tão íntimos que não se vê quando são ultrapassados, mesmo que criados sobre alicerces alheios.
Há a distância. Mas da mesma forma há os limites que foram ultrapassados por tanto que já não existe mais qualquer retorno.
Havia de haver cada vez mais inspiração.
Mas em meio à procura vazia e louca por símbolos alguma coisa brilha. Algo que laça olhos e acorrenta corações.
Vácuo. É o que define. Carência sem precedentes e sem futuro.
A solidão sabe causar constrangimento de uma forma com a qual ninguém sabe lidar: através do espelho.
Não se pode alguém simplesmente acostumar-se com o desamor.
E não se pode acostumar com o que não se conhece.
Sempre novo e sempre tão cansativo.
Ninguém vive sozinho. É bobeira... E bobeira é não viver a realidade, já dizia o poeta.
Não há coração perdido, abandonado ou esquecido por aí... Há a realidade de nunca ter respeitado e amado o que se tem. Espaço para sentir-se por si só.... e o que sobra é tanto carinho...
Há momentos em que pode-se despreocupar das coisas que te atormentaram sem precisar se vingar de ninguém ou destruir coisa alguma, ou extasiar-se em um conhecido e desesperado riso exagerado.
Aos poucos e sem pressa o mundo se torna algum lugar onde os sentimentos verdadeiros tomam a própria identidade. Sem inventividades, contradições, sem ações, omissões e necessidades instrínsecas de reformar-se pelo simples fato de tornar as coisas cada vez mais atraentes.
Tanta bobeira devora cada sentimento que deveria ser observado como realmente são. E quando são enxergados... óh!, alguma coisa em nova se transforma.
Pode não haver mudança em cada pontinho ou frase usada de forma perfunctória, algo a fim de camuflar uma realidade triste, ou feliz, confusa ou não... Mas de uma forma ou outra o que importa é saber o que se gosta, o que se adora, o que se quer por perto... o que se ama.
Reconhecer-se como um ser humano comum pode até parecer vergonhoso em algumas circunstâncias... Embora possam haver perdas terríveis... sabe-se que a única coisa que não há conserto é a morte.
E embora seja a própria morte o que se procure, a morte de verdade, de verdade, não existe pelo simples fato do querer.
O querer é tão passageiro quanto uma chuva em meio a esse inverno seco, e por mais que o choro surpreenda as maiores nuvens, quando os olhos se secam e as lágrimas deixam de embaçar as cores... a verdade vem a tona. É o que constrange.
A única verdade é que se ama. Ama-se. Ama-se o que se tem. Para si e para o que vier. Ama-se por amar e ser amado, por mais surpresa que possa causar.
Simples e tão desconhecido.
Sente. Parece pouco, mas sente.
Muitas vezes descarregar o coração das próprias frustrações faz um bem que não se compara ao canto de milhares de anjos.
Não há qualquer sensação que possa eximir os sentimentos que são guardados como bombas-relógio no fundo do coração... Esses que são os mais perigosos.
Aqueles que se guarda por mais tempo. Os mesmos que podem fazer com que a realidade se torne um sonho quase-eterno.
Quase-eterno.
Pois ninguém dorme pelo tempo que quer sem que a vida incomode com aquilo que a própria vida espera para si mesma.
Autocontrole é utopia de poucos... mas existem as escolhas... E as escolhas serão vistas sem precisarem ser alardeadas.
Sem enganos... algo mudou... não que haja absurda certeza... mas o sentimento execrável que incomodava decidiu encostar-se em alguma parte mais cinza, deixando, então, fluir mais cor. Alguma coisa aconteceu.
Não há necessidade de sentir, provar, palpar, ver, tatear, farejar, assustar, rir, falar, tocar, ouvir, testar... ... .... Porque simplesmente pensa-se que agora o que há de vir virá, o que houver de ser será.
O que se causa pela tristeza do que se chama querer é o que pode matar os sonhos com os quais não se deve sonhar.
Ousa-se sonhar, mas não querer desse modo transtornado.
Humildade hipócrita restou da inveja invasiva.
Coração sangrento restou do coração de pedra cinza.
Esperança restou a quem não quis mais nada além do que não podia.
Sonhos restaram a quem queria ter mais do que os sonhos que nunca teve.

O menino-sem-coração viu o próprio coração,
Regozijou-se na saudade,
Abraçou-o,
Viu o quanto era bom,
 
Sorriu.
Acordou,
E não fez nada.
Sentiu-se,
Viu o mundo à sua volta,
E então admirou a beleza que não via.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009